ALBUM REVIEW: A Arte Selvagem e Espetacular de Van Vogue em 'Wild Art'
Ontem à noite teve o lançamento de mais um debute no IMpop, Van Vogue (cantora paralela de Bxxch e Lady Murphy) lançou seu primeiro álbum, Wild Art. O evento foi um tanto conturbado pelos problemas técnicos (mais conhecidos como boicotes) e pelo álbum ter sido simplesmente apagado do YouTube de uma hora para a outra e a loira ter que upar tudo de novo.Mas eu não vim aqui falar do evento e sim do conteúdo da cantora. Na primeira vez que ouvi o álbum eu o vi como apenas uma mistureba de faixas e emoções completamente diferentes de uma das outras, resumindo: Um álbum sem sentido, mas aí eu ouvi ele mas uma vez e percebi que é isso mesmo! Mas é isso que o torna tão especial, um álbum repleto de emoções e gêneros que não tem nada haver um com os outros mas que ao mesmo tempo se completam perfeitamente e é possível fazer isso lindamente? Sim, claro que sim! Quem aqui não se lembra do Angelique?
De fato o álbum nos envolve de diversas maneiras inexplicáveis e eu simplesmente amo isso, amo quando nós temos um material envolvente que não queira passar um estilo próprio, é um desafio do tipo: "Eu sou boa de todas as formas e vou mostrar isso", o próprio artista se arrisca para conquistar todos os público-alvos que conseguir, no caso de Van Vogue foi um grande risco por se tratar de uma novata nesse mundo tão rigoroso e cruel conhecido como Show Business.
01. Immortal
O álbum é aberto pela maravilhosa 'Immortal', um destruidor arrasador de sentimentos. Um pop mesclado com uma faceta de um R&B que te faz refletir sobre tudo e todos e vontade de levantar da cadeira e dançar da forma mais Maddie Ziegler possível. Van Vogue canta sua imortalidade a raios e trovões e a qualquer outra coisa que tente te derrubar com uma pureza magnífica que só poucas conseguem fazer, ela cita um sonho onde gostaria de viver infinitamente em sua inocente infância e em seus ingênuos desejos de criança. "Eu quero ser imortal, não quero sentir o gosto do sangue destruir, é como um vagalume de uma flor desbrochando [...]" Preciso falar mais alguma coisa?
02. Have Fun (feat. Vanessa Clark)
Eis que então brota um Electro House no meio do que parecia ser um álbum de sentimentos ingênuos. Van Vogue se junta a Vanessa Clark e as duas cantam, da forma mais Clark possível, como se faz um bom baseado e como ser uma maconheira descolada no meio de tantas outras comuns, as duas só querem se divertir na noite de sábado e arriscar novas aventuras antes do sol nascer novamente e a rotina de sempre voltar. "Vanessinha chegou para ensinar quantos esqueiros se fazem um bom baseado rolar"
03. Broken Girls (feat. Lady Murphy)
Uma sonoridade não tão diferente de 'Have Fun' só que um pouco mais provocativa, podemos definir 'Broken Girls'. Uma espécie de disstrack para quem se sentir ofendida e um Hip-Hop/House de tirar o fôlego, Van e Murphy cantam sobre as formas mais inusitadas de ganhar dinheiro já que estão quebradas e precisam se sustentar de alguma maneira. "Fiz um fake de uma rica americana, cadê o meu celular? Tá na pernambucanas [...]"
04. Arabian Fight
Tem música árabe sim e se reclamar vai ter duas! Eis que então um dos maiores destaques do álbum aparece e seu nome está ali por dois motivos: Dar juízo ao gênero e dar juízo a letra. 'Arabian Fight' é uma outra disstrack só que dessa vez bem reformulada e sem nenhum tipo de papas na língua para criticar qualquer um que vestir a carapuça, um tipo de música comum de se ouvir por aí, mas de uma forma diferente e ousada. A música árabe, em geral, tem uma sonoridade um pouco agressiva e provocativa e essa foi a melhor maneira de se criar uma 'afronta' as inimigas.
05. Healing On Dance Floor
Uma nova Van Vogue, uma nova sonoridade, algumas novas sensações. 'Healing on Dance Floor' expressa os sentimentos de Van em relação a um rapaz que a persegue e ela simplesmente o ignora e gasta todo seu dinheiro em baladas para se divertir com outros rapazes e vivendo novas emoções. "Não quero saber, eu sou a rainha do drama. Você me considerou como um corpo na lama" diz ela em seus versos de desabafo. A noite é longa e ela pode ser vivida de diversas maneiras, pegue um copo, desligue o telefone e apenas dance. "Cheguei na dimensão da pista de dança, um drinque para você outro drinque para mim. Não quero saber de você, você só me fez cair. A pista de dança poderá me fazer sorrir [...]"
06. Wild Art
A faixa título chegou, mas não abalou. Wild Art é uma faixa que te faz dançar durante seus versos e você cria sua própria arte selvagem junto com Van Vogue e se diverte imensamente, mas aí chega o refrão com aquela voz absurdamente irritante cantando repetitivamente: "Don't touch, it's art! Art Art Art Art Art Art." Graças a Deus, esse refrão dura pouquíssimo tempo e dá sim para aproveitar a faixa ao longo de seus 3 minutos e 5 segundos.
07. Ex-Lover
Quase que no fim do álbum, 'Ex-Lover' canta um debate de Van Vogue com ela mesma, ela terminou com seu amor e mesmo ele sendo um cafajeste ela simplesmente não o esquece e o quer de volta em sua cama, lugar de onde ele nunca devia ter saído. Um pequeno Pop-Hop que apesar de não ser destruidor como as faixas anteriores se destaca por ser suave e agressivo, de certa forma, ao mesmo tempo. "Vejo em câmera lenta ir embora o meu ex amor, sem se preocupar comigo me afogando na dor [...]"
08. Madalena
'Madalena' chega de fininho em seu início lento e prazeroso, mas depois nos choca com seu poder e agitação. Madalena é uma mulher poliglota, eficiente em sexo de todas as maneiras, inclusive à moda Espanhola (rs), e uma ótima companhia para a cama. Madalena traz um defeito em que todas as faixas têm um pouco, os efeitos na voz. Em algumas outras faixas ele passa despercebido, mas aqui se torna um pouco perturbador e torna a música um pouco chata de se ouvir, o exagero no efeito do tom de voz faz com que algumas partes da letra se tornem indecifráveis para entender o que está sendo cantado, mas a parte decifrável é simplesmente maravilhosa e um ótimo acompanhamento para uma noite de extravasar.
09. Can't Beat The Feeling
Estamos perto do fim do álbum e chega então a melhor faixa até aqui, 'Can't Be The Feeling' é praticamente uma Immortal 2.0 só que 10 vezes melhor, apesar da outra citada ser magnífica. Vogue canta seus sentimentos para o seu grande amor e tenta o convencer de que ela é o amor da sua vida e trazê-lo para si mas existe concorrência e apesar de que ela queira, esse sentimento não pode ser parado. Uma letra simplesmente magnífica cantada em versos leves e suaves sem lotação de efeitos enjoativos transformam Can't Be The Feeling na melhor coisa que o Wild Art nos trouxe ao longo de sua jornada. "Eu não posso parar esse sentimento, o que sinto por você não vai embora com o tempo. Tudo pode ser perfeito se você quiser me amar, nasci pronta para você, quero apenas te beijar."
RESUMINDO: O primeiro álbum de Van Vogue nos proporciona viagens a diversos sentimentos e sensações e a cada passo dessa viagem vivemos uma nova situação, uma nova circunstância que pode te emocionar ou te fazer rebolar. Imortalidade, diversão, arte selvagem, sentimentos incorrespondidos são apenas uns dos grandes temas apresentados nesse álbum que pode ser realmente considerado uma arte. Van cometeu um risco ao tentar trazer um álbum com diversos gêneros distintos e tentar transformar eles em um material agradável e foi um ótimo risco a se correr, Wild Art não consegue se tornar enjoativo em nenhum momento e com apenas alguns defeitos minúsculos que podem ser reparados com o tempo ele consegue ser uma das melhores obras já feitas por um artista Impop.
NOTA: 9,1


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